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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

MINOCA secundário a quimioterapia com cisplatina e gencitabina. Um relato de caso.

Arero, J., R., B., Kanhouche, G., Lipolis, A., L., Lopes, C., G., Oliveira, L., C., Barros, C., Souza, J. C., Sá, P., P., M., D., Birtche, M., G., Souza, N., J.
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

INTRODUÇÃO: Muitos medicamentos quimioterápicos estão vinculados a doenças do sistema cardiovascular e nos últimos anos, a cardio-oncologia vem ganhando mais espaço nas publicações internacionais. A cisplatina é uma das drogas bastante estudadas, porém seus efeitos adversos em associação com outras drogas não estão bem estabelecidos. RELATO DE CASO: Feminina, 62 anos, dislipidemica, tabagista e diagnóstico recente de câncer de bexiga com início de quimioterapia (QT) com cisplatina e gencitabina. Iniciou quadro de dor precordial de forte intensidade com irradiação para o membro superior esquerdo, associado a dispneia e náuseas 8 dias depois da primeira sessão de QT. Foi realizado eletrocardiograma (ECG) com alteração de repolarização em parede anterior e coletado marcadores de necrose miocárdica, com curva ascendente de troponina, sendo caracterizado Infarto Agudo do Miocárdio sem Supra de ST (IAMSST) com TIMI risk 1 e GRACE Score 86. Durante internação, paciente foi submetida a cineangiocoronariografia a qual demonstrou ausência de estenoses nas artérias coronárias e ecocardiograma sem alterações segmentares com fração de ejeção preservada. Foi realizado ressonância magnética do coração sendo evidenciado realce tardio transmural em parede antero-lateral com edema perilesional. Paciente foi medicada com dupla antigregação (DAPT) e com bloqueador de canal de cálcio. DISCUSSÃO: Apesar da enorme maioria de casos de IAM ser por etiologia aterosclerótica, existem uma gama de fatores que podem levar a IAM sem necessariamente apresentar obstrução coronariana. Há ainda, um nicho específico de pacientes que se apresentam com isquemia miocárdica associada a doença neoplásica. Entre os vários motivos, o estado pró-trombótico que o câncer induz, vasoespasmo e cardiotoxicidade pelos quimioterápicos. Dentre os principais quimioterápicos que podem causar isquemia: Fluorouracil, Cisplatina, Capecitabina e Interleucina-2. A Cisplatina pode acarretar estados de hipomagnesemia a qual pode ser o gatilho para vasoespasmo coronariano assim como a deficiência de magnésio intracelular pode ser fator de risco isolado para síndrome coronariana aguda. A Gencitabina não é uma droga comumente associada a isquemia miocárdica, porém a mesma pode ocasionar disfunção endotelial e indução de trombose intra-coronária. CONCLUSÃO: Existe pouca evidência na cardioproteção e no tratamento dos pacientes oncológicos que apresentam IAM sem lesão obstrutiva. Mais estudos devem comprovar o benefício ou não de DAPT neste perfil de paciente.

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