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Relato de caso: miocardite por citomegalovírus em paciente com glomeruloesclerose segmentar e focal corticorresistente.

Robin Paniagua, Attilio Galhardo , Jessica Picinin Cardoso, Guilherme Campos Araújo , Danielle Covre Stocco, Ana Teresa Pereira Vieira, Artur Leite Ramires Saldanha, Rossella Falcão Dias, Davi Zagonel , Marcos Damião Cândido Ferreira
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: A miocardite é uma doença inflamatória do miocárdio que, dentre as de etiologia viral, coxsackie B, adenovírus e parvovírus B19 são comuns.  A infecção por citomegalovírus (CMV) é pouco descrita na literatura, e suas manifestações clínicas variam desde assintomático até choque cardiogênico.

Relato de caso: Paciente masculino, 64 anos, hipertenso, diagnosticado com glomeruloesclerose segmentar e focal desde 2017, que evoluiu corticorresistente com necessidade de introdução de ciclosporina 250 mg/dia. Um mês antes da internação, apresentou lesões bolhosas descamativas e dolorosas por tronco, placas esbranquiçadas em mucosa oral com sangramento eventual, e há 2 dias da admissão febre de 38ºC, mialgia e hiporexia. Paciente evoluiu com piora da função renal e hipotensão com necessidade de drogas vasoativas, iniciado tratamento para sepse de foco cutâneo e candidíase oral sem resposta adequada. Após episódio de dispneia e piora da congestão, realizado eletrocardiograma mostrando bloqueio de ramo esquerdo, além de troponina ultrassensível em níveis elevados (580pg/ml). Ecocardiograma transtorácico mostrou hipocinesia inferior médio-basal do ventrículo esquerdo com fração de ejeção preservada (60%), sendo último exame realizado há 1 ano sem alterações segmentares. Aventada a hipótese de infecção por CMV devido quadro de imunossupressão, causando lesões cutaneomucosas, miocardite e pneumonite. Ressonância magnética cardíaca auxiliou na elucidação diagnóstica por meio da técnica de realce tardio (figura 1) com fibrose padrão não isquêmico em segmento inferior e inferolateral, acometendo mesocárdio e poupando o endocárdio, compatível com miocardite; e a quantificação de DNA de citomegalovírus resultou em 3.480 UI/ml, suspenso antibioticoterapia, paciente fez tratamento com ganciclovir por 4 semanas evoluindo com melhora clínica e de função renal. 

Discussão: A miocardite por CMV é rara mesmo em imunossuprimidos. O diagnóstico precoce e tratamento específico pode minimizar sequelas e trazer melhores desfechos. No caso observado o tratamento foi iniciado rapidamente com melhora clínica significativa.

Conclusão: O diagnóstico da miocardite e de sua etiologia são essenciais para a instituição do tratamento adequado. A ressonância magnética detém papel importante na confirmação do padrão miocárdico acometido pela infecção. Observamos um caso raro, complexo e potencialmente fatal de citomegalovirose disseminada no qual o tratamento precoce com ganciclovir foi fundamental para a melhora clínica do paciente.

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