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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Ingestão exacerbada de frutose dos genitores causa disfunção autonômica cardiovascular na prole: identificação precoce de marcador de risco

Camila Paixão dos Santos, Deiwet Ribeiro Silva, Danielle Da Silva Dias, Amanda Araujo, Nathalia Bernardes, Filipe Fernardes Conti, Maria Cláudia Irigoyen, Kátia De Angelis
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil, Universidade Nove de Julho (UNINOVE) - São Paulo - São Paulo - Brasil

Introdução: A disfunção autonômica cardiovascular tem sido associada ao desenvolvimento de doenças cardiometabólicas. A dieta inadequada dos genitores pode promover prejuízos cardiometabólicos na prole na vida adulta. Porém, não estão claras como a ingestão de frutose,  durante a gestação e lactação pode influenciar nestes aspectos.

Objetivo: Avaliar os perfis metabólico, hemodinâmico e autonômico de filhos de pais submetidos à sobrecarga crônica de frutose.

Metodologia: Os grupos de genitores foram formados por ratos Wistar adultos foram submetidos a uma sobrecarga de frutose (10%) na água de beber (Genitor frutose) ou dieta padrão (Genitor Controle) durante 60 dias. Foi realizado o acasalamento e as fêmeas continuaram recebendo a mesma dieta (frutose ou padrão) durante toda a gestação e lactação. A prole foi pesada no dia do nascimento, o dia do nascimento da prole foi considerado o dia zero do protocolo. Após o desmame, a prole foi distribuída em grupo C (descendentes dos genitores controle, n= 7) e grupo F (filhos dos genitores frutose, n=7), sendo avaliados 30 dias após o desmame. Os parâmetros metabólicos foram medidos em jejum com fitas reagentes. Os sinais de pressão arterial (PA) foram registrados de forma direta. A modulação autonômica cardiovascular foi avaliada pela análise espectral.

 Resultados: O peso ao nascer foi menor no grupo F quando comparado ao C (F: 5,82 ± 0,06 vs. C: 6,42 ± 0,06 g). Em relação às avaliações metabólicas, a glicose e os triglicerídeos foram semelhantes entre os grupos estudados. A PA média (C: 106 ± 2,7 vs. F: 110 ± 3,4 mmHg), sistólica e diastólica e a frequência cardíaca foram semelhantes entre os grupos estudados. No entanto, o grupo F apresentou menor modulação parassimpática cardíaca, e maior modulação simpática cardíaca, quando comparado ao grupo C; refletindo em aumento no balanço simpato-vagal no grupo F (0,37 ± 0,06 vs. C: 0,14 ± 0,03). Além disso, foi observada maior modulação simpática vascular no grupo F em relação ao C, evidenciada pelo aumento da banda de baixa frequência da PA sistólica (F: 5,64 ± 1,17 vs. C: 2,25 ± 0,49 mmHg²).

Conclusão: A prole de genitores submetidos à sobrecarga de frutose apresentou baixo peso ao nascer e disfunção autonômica cardiovascular precoce na vida adulta, mesmo na presença de perfil metabólico e cardiovascular dentro da faixa de normalidade. Esses achados sugerem a variabilidade autonômica cardiovascular como um marcador precoce de risco de desenvolvimento de doenças em filhos de pais expostos ao consumo exacerbado de frutose.  

Apoio financeiro: FAPESP, CAPES, CNPq.

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