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Relato de Caso: Anafilaxia devido a midazolam – Uma rara e potencialmente fatal complicação durante cirurgia

Moraes RLA, Lisboa LAF, Gallafrio ST, César LAM, Boechat CB, Furlan DAG, Gowdak LHW
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A incidência geral de anafilaxia em anestesia é estimada em 1 para cada 13.000 procedimentos. Cloridrato de midazolam é um depressor do SNC de curta duração usado em diversos procedimentos invasivos. Reações adversas graves incluem depressão respiratória, laringoespasmo, convulsões tônico-clônicas, prurido, arritmias cardíacas e reações anafiláticas (raras). Relatamos um caso de anafilaxia grave após sensibilização prévia com midazolam.

Relato de caso: Mulher de 64 anos com angina estável e estudo de perfusão miocárdica revelando área isquêmica de grande extensão, encaminhada para coronariografia, a qual revelou padrão obstrutivo biarterial com envolvimento do ramo interventricular anterior (RIVA). Optado por cirurgia de revascularização miocárdica (anastomose da artéria torácica interna esquerda-RIVA) sem intercorrências. A paciente foi readmitida no 69o PO por infecção de ferida operatória (FO). Iniciada antibioticoterapia com vancomicina, a qual foi substituída por teicoplanina após1 dia de uso, devido a eritema cutâneo. Realizado debridamento amplo de ferida de esternotomia e implante de curativo de pressão negativa sem intercorrências. Ao retornar da Unidade de Recuperação Pós-Anestésica, no entanto, apresentou quadro súbito e rapidamente progressivo de angioedema, sendo necessário administração de adrenalina, corticóide e difenidramina.. Pela necessidade de nova abordagem para tratamento da infecção de FO, solicitou-se parecer da equipe de Imunologia. Inicialmente, concluiu-se tratar de angioedema não histaminérgico e optado por suspensão do inibidor da ECA. Realizaram-se o teste cutâneo de leitura imediata e o teste intradérmico para as medicações usadas na cirurgia (cisatracúrio, etomidato, fentanil,rocurônio e midazolam), o qual foi positivo para midalozam. A paciente foi submetida a outros dois procedimentos para tratamento de infecção de FO sem intercorrências e sem o uso de midazolam.

Conclusão: As reações anafiláticas que ocorrem durante a anestesia continuam a ser uma das principais causas de preocupação para os anestesiologistas. A baixa incidência de reações alérgicas graves após exposição a benzodiazepínicos faz com que não apenas o quadro anafilático seja prontamente reconhecido e medidas específicas adotadas, mas também que se identifique por meio de testes específicos o agente anestésico implicado na reação. Assim, havendo necessidade de novo procedimento anestésico, tal informação poderá ser útil ao anestesiologista para o correto planejamento anestésico, diminuindo o risco de complicações graves, como aqui relatado.

 

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