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Síndrome de Takotsubo induzida por dobutamina durante realização de ecocardiograma com estresse – Complicação incomum, mas potencialmente grave

Guilherme Amaro, Layara Lipari, Natalia Amstalden, Rafael Tourinho Dantas, Pedro Augusto Bastos, Tatiana Torres Leal, Bruno Biselli, Paulo Rogerio Soares, Alexandre de Matos Soeiro
Unidade Clínica de Emergência - InCor - HCFMUSP - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: A cardiomiopatia de Takotsubo (CMT) é uma condição clínica que cursa com disfunção sistólica transitória do ventrículo esquerdo desencadeada por estresse físico ou emocional. A incidência é baixa (cerca de 1-2% das síndromes coronarianas agudas) e na maioria dos casos apresenta bom prognóstico, com reversão da disfunção ventricular em dias a semanas. Relato de Caso: Paciente de 75 anos, sexo feminino, hipertensa, dislipidêmica, doente renal crônica, obesa e hipertireoidea. Em caráter ambulatorial referia dor precordial atípica, sendo optado por investigação não invasiva com ecocardiograma (ECO) de estresse com dobutamina. Durante o ECO em repouso apresentava função sistólica preservada, fração de ejeção (FE) de 56%, sem alterações na mobilidade segmentar miocárdica. Durante a infusão de dobutamina à 20 mcg/Kg/min e atropina à 0,25 mg a freqüência cardíaca (FC) atingiu 148 batimentos por minuto (bpm) - 102% da máxima predita para a idade. No pico do estresse, apresentou disfunção sistólica, FE de 30%, às custas de acinesia da região apical e hipocinesia das demais paredes, associado a infradesnivelamento do segmento ST em parede inferior, náuseas e hipotensão, sendo interrompido o exame. Na fase de recuperação, apresentou melhora dos sintomas e recuperação parcial da função sistólica do ventrículo esquerdo, FE de 40%, mantendo hipocinesia apical, além de discreto supradesnivelamento de ST em parede inferior. Admitida no setor de emergência, assintomática, FC 80bpm, pressão arterial de 100x50mmHg, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações e eletrocardiograma em ritmo sinusal sem alterações isquêmicas agudas. Submetida à cineangiocoronariografia que demonstrou coronárias sem lesões obstrutivas e ventriculografia com balonamento e acinesia apical. Realizada ressonância magnética cardíaca que endossou estes achados, confirmando o diagnóstico de CMT. A paciente recebeu tratamento clínico de suporte e apresentou boa evolução clínica. Discussão: A CMT pode ser precipitada por estresse farmacológico, sendo que o principal medicamento associado é a adrenalina, seguido pela dobutamina. O prognóstico é favorável na maioria dos casos, com reversão da disfunção sistólica. Uma vez identificada a disfunção ventricular/dor/alteração eletrocardiográfica ao exame, o paciente deve receber tratamento prontamente para reduzir o risco de complicações.Conclusão: O risco de CMT não deve ser negligenciado na realização de exames com estresse farmacológico adrenérgico, devendo a solicitação desses exames ser considerada com cautela e ciência de suas complicações.

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