Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Derrame pleural eosinofílico associado ao uso de daptomicina no tratamento de endocardite infecciosa: relato inédito de caso

Deborah de Sá Pereira Belfort, Antônio de Santis, Amanda Martins Maneschy, Pablo Cartaxo, José Roberto de Oliveira, Francisco Magalhães, Maria Paula Fenelon, Leonardo Jadyr Alves, Lívia Rodrigues, Flávio Tarasoutchi
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A endocardite infecciosa é uma condição de alta morbi-mortalidade. O tratamento requer frequentemente o uso de esquema terapêutico poliantimicrobiano, com potencial de toxicidade. Relato de caso: M.B.M., 38 anos, feminino, antecedente de troca valvar mitral por prótese biológica há um mês da internação, admitida com febre, queda do estado geral e vegetação na prótese mitral, com diagnóstico de endocardite infecciosa precoce de prótese. Foi iniciado tratamento empírico com gentamicina, vancomicina e rifampicina. No entanto, apresentou reação cutânea à vancomicina, sendo substituída por daptomicina. As hemoculturas foram positivas para Staphylococcus epidermidis resistente a oxacilina. Por falha de tratamento etiológico, indicada nova cirurgia de troca valvar. No pós operatório, manteve-se o esquema antimicrobiano, com melhora clínica inicial e suspensão da gentamicina após duas semanas. Na terceira semana, evoluiu com episódios subfebris e eosinofilia periférica (até 1789 eosinófilos), além de dor torácica pleurítica à esquerda. Na investigação, radiografia de tórax evidenciou derrame pleural comprometendo dois terços do hemitórax esquerdo. Realizada toracocentese diagnóstica e de alívio com saída de 900mL de líquido seroso. Estudo do líquido evidenciou derrame exsudativo com 21% de eosinófilos e culturas negativas. Pela associação de daptomicina com eosinofilia e pneumonia eosinofílica, foi realizada troca desta droga por linezolida e gentamicina. A paciente evoluiu com melhora da eosinofilia, não apresentou mais episódios subfebris e o derrame pleural não recorreu. Recebeu alta assintomática. Discussão: A eosinofilia periférica é descrita em 15% dos casos de uso da daptomicina e, destes casos, 12% evolui com pneumonia eosinofílica. É descrito em literatura comprometimento do parênquima pulmonar, não sendo descrito até então acometimento exclusivamente pleural pela daptomicina. A melhora clínica da paciente com a suspensão da medicação corrobora a associação da droga com o quadro clínico apresentado. Conclusão: A daptomicina vem sendo utilizada de forma cada vez mais frequente no tratamento da endocardite infecciosa. Não obstante, é necessário reconhecer, precocemente, possíveis eventos adversos e substituir a medicação quando necessário.

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

20 a 22 de junho de 2019
Transamerica Expo Center | São Paulo - Brasil