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Hipertensão pulmonar e deficiência de vitamina C - relato de caso

Deborah de Sá Pereira Belfort, Paulo Miranda Cavalcante, Eduarda Gomes Ferreira, Eduardo Cavalcanti Lapa Santos, Christyanne Rodrigues, Thaís de Melo Viana, Heitor Duarte de Andrade, Maria Tereza Sampaio, Iuri Resedá, Natália Amstalden
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco - Recife - Pernambuco - Brasil

INTRODUÇÃO: O escorbuto, manifestação clínica da deficiência de vitamina C, ainda ocorre nos dias atuais. Dentre os fatores de risco estão o baixo nível socioeconômico, alcoolismo, doenças psiquiátricas e alergia alimentar, sendo a baixa ingestão de frutas e verduras a causa principal. A clínica é variada e inespecífica, com manifestações cutâneas, articulares, hematológicas e cardiovasculares. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 51 anos, com baixa ingestão de alimentos, admitido com dor, edema e calor em membro inferior esquerdo, petéquias perifoliculares e equimoses dolorosas em membros inferiores, gengivorragia e dispneia aos pequenos esforços há 1 mês. Exames de admissão evidenciaram anemia normocítica, deficiência de ferro, ácido fólico e vitamina B12, e eletrocardiograma evidenciou supradesnivelamento do segmento ST em parede inferior e onda T invertida profunda de V1 a V4. Ecocardiograma transtorácico mostrou aumento de câmeras direitas, função sistólica de ventrículo direito limítrofe, sinais de hipertensão arterial pulmonar pressão sistólica de artéria pulmonar estimada em 61 mmHg, insuficiência tricúspide discreta e derrame pericárdico mínimo. Tomografia de tórax e cintilografia de ventilação e perfusão descartaram tromboembolismo venoso agudo ou crônico. Aventada possibilidade de deficiência de vitamina C como causa de todo o quadro clínico. O resultado da dosagem sérica de vitamina C de 0,05 mg/dL confirmou diagnóstico, sendo iniciada reposição empírica parenteral. Evoluiu com melhora clínica progressiva e melhora das alterações eletrocardiográficas. Após 11 meses, realizou novo ecocardiograma que demonstrou câmaras cardíacas de dimensões normais e ausência de sinais de hipertensão pulmonar. DISCUSSÃO: a associação de escorbuto e hipertensão pulmonar é descrita em literatura. A vitamina C contribui para o aumento da síntese e biodisponibilidade do óxido nítrico pelas células endoteliais. Além disso, provoca aumento da atividade do fator de transcrição induzível por hipóxia, o qual coordena a resposta celular a hipóxia e induz a vasoconstricção pulmonar. No caso apresentado, foram descartadas as principais causas de hipertensão pulmonar e quadro regrediu totalmente após suplementação de vitamina C, sendo provável uma relação de causalidade. CONCLUSÃO: Apesar de raro, escorbuto deve ser lembrado como uma causa de hipertensão pulmonar, especialmente no contexto de outras deficiências nutricionais.

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