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RELATO DE CASO: SÍNDROME DE BRUGADA E FENOCÓPIAS DE BRUGADA - A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

CALDAS, VAFC, Neto, NRO, Nunes, JT, Arduine, GA, Campos, AC, Lobo, RE, Oliveira, WSR
CARDIO HUOL UFRN - NATAL - RN - BRASIL, INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução Síndrome de Brugada (SBr) é uma canalopatia geneticamente determinada por desordem de transmissão autossômica dominante, expressando-se pela disfunção dos canais de sódio de células miocárdicas e achados típicos no eletrocardiograma (ECG), associados a risco aumentado de taquiarritmias ventriculares, sendo a principal causa de morte súbita em homens abaixo de 40 anos e com coração estruturalmente normal. Esses achados típicos são supradesnivelamento do segmento ST de V1-V3, associado a padrão de bloqueio de ramo direito. Várias condições podem mimetizar os padrões de ECG de Brugada, não se relacionando ao risco de morte súbita. Esses quadros são classificados como Fenocópias de Brugada (FBr), quando preenchem certos critérios, como causa reversível, sendo as principais: condições metabólicas (hipocalemia e acidose); isquemia miocárdica;miopericardiopatias;cardiomiopatia chagásica. Esse relato exemplifica um caso que o diagnóstico diferencial entre SBr e FBr.

Métodos Homem, 60 anos, com hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e asma, apresentou síncope desliga-liga, rápida recuperação, sem traumas. Negou dor torácica, palpitações, dispneia, história familiar para cardiopatias ou morte súbita. Atendido pelo serviço móvel de urgência, estável, ECG com supra-ST de V1-V3, com aspecto de corcova (Fig1). Indicado cateterismo de urgência. No cateterismo, apresentou parada cardíaca em fibrilação ventricular, recuperada após 1 ciclo de ressucitação. Realizado angioplastia de artéria descendente anterior com 2 stents convencionais por lesão de 90% proximal, sem lesões residuais. Exames de admissão: potássio sérico 3,3mEq/L, Troponina I 0,08mcg/L (referência < 0,026). Ecocardiograma: função biventricular preservada e discreta hipocinesia apical. ECG de admissão sem alterações (Fig2). Após correção de isquemia miocárdica e distúrbio eletrolitico, realizado teste provocativo com propafenona 600mg (ajmalina indisponível), induzindo padrão de Brugada em ECG pós-3 horas (Fig3). Com provável diagnóstico de SBr, indicado cardiodesfibrilador implatável (CDI).

Fig1

Fig2

Fig3

Conclusões Condições com padrão de ECG de Brugada devem ser manejadas como FBr ou SBr. Pelo risco aumentado de morte súbita na SBr, é primordial realizar o diagnóstico diferencial a partir de história médica e familiar, testes provocativos com bloqueadores dos canais de sódio (ajmalina, procainamida), evolução minuciosa de ECG pós correção de condição subjacente, testes genéticos e até estudo eletrofisiológico em alguns casos, para decidir entre tratamento clínico ou implante de CDI.

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