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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Cardiotoxicidade durante tratamento com Carfilzomibe

Aline Sabrina Holanda Teixeira Moraes, Ana Carolina Noronha Campos Berbel, Thais Chang Valente, Jean Carlos Lazari, Felipe Roque, Moyses Antonio Porto Soares, Bruno Sussumu Maeda, Thais Gracitele, Breno Moreno de Gusmão, Rodrigo Noronha Campos
HOSPITAL BENEFICÊNCIA PORTUGUESA - - SP - BRASIL

Introdução

O Carfilzomibe (CFZ) é um inibidor de proteassoma indicado para o tratamento do mieloma múltiplo (MM) recaído ou refratário, que melhorou a sobrevida com taxa de resposta de aproximadamente 87% e aumento da sobrevida global. Este quimioterápico tem sido associado a incidência de cerca de 6 a 7% de cardiotoxicidade. Os principais relatos são de palpitações, dispnéia, cardiopatia isquêmica, hipertensão e mais comumente o aparecimento ou agravamento de insuficiência cardíaca. Os fatores de risco preexistentes tais como idade, sexo, comorbidades e a exposição prévia a quimioterapias cardiotóxicas como as antraciclinas podem aumentar a toxicidade cardiovascular nesses pacientes. Devido a essas ocorrências, a identificação, prevenção e manejo das complicações cardiovasculares torna-se cada vez mais necessário para a manutenção do melhor tratamento anti-neoplásico.

Apresentação

JEMC, 56 anos, masculino, sem comorbidades, MM com comprometimento ósseo e medular desde 2016, iniciou tratamento para doença refratária com CFZ (70mg/m²). Nos primeiros dias de tratamento apresentou elevação da pressão arterial, controlada com enalapril em doses baixas. Após o 15º dia de tratamento, evoluiu com fibrilação atrial de alta resposta ventricular, sendo revertida com amiodarona e retorno ao ritmo sinusal. Como houve progressão da doença, foi associada doxorrubicina, ciclofosfamida e etoposideo. Após primeiro ciclo paciente apresentou elevação de troponina T ultrassensível e NT pro BNP além de Ecodopplercardiograma (ECO) com strain longitudinal de -16%. Foi iniciada cardioproteção com metoprolol em associação ao enalapril. Repetido ECO com strain e biomarcadores 15 dias após e houve normalização dos resultados, sendo liberado para novo ciclo de quimioterapia. Evoluiu com sucesso e manutenção do antineoplásico com boa resposta ao tratamento.

Discussão

O MM é uma doença com maior incidência em idosos, sendo que estes, muitas vezes já possuem fatores de risco preexistentes para o envolvimento cardiológico ocasionado pela quimioterapia. Existem poucas evidências de como fazer o seguimento e controle dos efeitos adversos ocasionados por essas drogas até o dia de hoje. No caso do paciente acima, a procura pela cardiotoxicidade e a realização de exames como eletrocardiograma, ECO com strain, assim como a dosagem de biomarcadores seriados resultou na identificação precoce da toxicidade cardiovascular e o início da cardioproteção. O tratamento resultou na recuperação da injúria miocárdica e a manutenção do tratamento para controle da doença e melhora da sobrevida.

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