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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Disfunção ventricular durante tratamento com Abiraterona

Ana Carolina Noronha Campos Berbel, Aline Sabrina Holanda Teixeira Moraes, Thais Chang Valente, Rodrigo Coutinho Mariano, Julio Antonio Pereira de Araujo, Beatriz de Almeida Wanderley Guedes Lins, Fabio Augusto Barros Schutz, Rosely Yamamura, Rodrigo Noronha Campos
HOSPITAL BENEFICÊNCIA PORTUGUESA - - SP - BRASIL

Introdução

O câncer de próstata é o câncer mais freqüentemente diagnosticado em homens. A terapia de privação androgênica é uma pedra angular para o tratamento da doença localmente avançada e metastática. Recentemente, novos agentes bloqueadores hormonais da síntese de testosterona como a abiraterona demonstraram aumentar a sobrevida de pacientes com doença resistente à castração. Esse novo tipo de tratamento é caracterizado por um amplo espectro de toxicidades e entre elas, a toxicidade cardiovascular. A cardiotoxicidade relacionada a este inibidor hormonal pode se manifestar de diversas formas. Entre elas, hipertensão arterial em até 22 % dos casos, arritmias e disfunção ventricular esquerda.

Apresentação

Masculino, 68 anos, ex-tabagista, etilista, hipertenso, diabético, com diagnóstico de adenocarcinoma de próstata metastática em uso de Gosserrelina e Abiraterona. Iniciou quadro de dispnéia progressiva há 2 semanas com piora recente. Negava sintomas de resfriado ou gastrointestinais. Deu entrada com estertores crepitantes e taquicardia. Foram dosadas Troponina I e CKMB que vieram positivas e NT pro-BNP de 11202. Eletrocardiograma em ritmo sinusal, inversão de onda T anterior e QTc 519mseg. Realizado Ecodopplercardiograma transtorácico que evidenciou fração de ejeção (FEVE) de 21% e hipocinesia difusa, aumento de átrio esquerdo (82ml/m²), insuficiência mitral e tricuspídea importante. Instituído tratamento medicamentoso para insuficiência cardíaca com boa tolerância. Realizado Cateterismo Diagnóstico que não demonstrou lesões obstrutivas. Ressonância magnética cardíaca evidenciou fibrose mesocárdica, de padrão não isquêmico, na porção médio-basal das paredes ântero-septal e septal do ventrículo esquerdo e no segmento basal da parede anterior do VE com FEVE 25%. Após discussão em conjunto com equipe de oncologia foi optado por suspender o tratamento com abiraterona. O paciente recebeu alta com terapia otimizada e com melhora dos sintomas cardiovasculares.

Discussão

No caso relatado acima demonstramos a apresentação de toxicicidade cardiovascular por abiraterona. Os estudos atuais de segurança demonstram poucos efeitos adversos ao sistema cardiovascular, porém a maioria dos ensaios clínicos geralmente excluem pacientes com comorbidades cardiovasculares, não sendo representativo da vida real. Dessa forma, as alterações cardiovasculares durante o tratamento devem ser extensamente investigadas e relatadas de forma a aumentar a vigilância e o estímulo à busca de sintomas além do tratamento precoce.

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