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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO EM GESTANTE COM DOENÇA VALVAR REUMÁTICA E PRÓTESE MITRAL MECÂNICA

Jeferson Z. Nalevaiko, Vivien R. Bittencourt, Robson F. G. de Lima, Gustavo A. B. Tashima, Danielle P. S. C. Basaglia, Fernando S. Botelho, Miguel I. A. H. Sobrinho, André L. Canteri, Paulo R. C. Marquetti, Eduardo L. Adam
HOSPITAL DE CLÍNICAS UFPR - CURITIBA - PR - BRASIL

 

INTRODUÇÃO: A doença valvar reumática é a cardiopatia mais frequente na mulher jovem e aumenta o risco de tromboembolismo na gestação, principalmente quando presença de prótese valvar. As diretrizes de anticoagulação durante a gravidez estratificam as pacientes com prótese valvar mecânica como de muito alto risco, mas o uso de anticoagulantes orais durante a gestação apresenta potencial teratogênico e risco de sangramento. A enoxaparina é comumente utilizada no período gestacional.

RELATO DE CASO: Paciente feminina, 27 anos, valvopatia reumática submetida a plástica mitral aos 12 anos de idade, troca valvar mitral por prótese biológica aos 13 anos e retroca valvar aos 20 anos (prótese mecânica). Apresentou evento embólico prévio (acidente vascular encefálico aos 21 anos). Primigesta, 30 semanas de idade gestacional (IG), em anticoagulação com enoxaparina por via subcutânea na dose de 60 mg (1mg/Kg) a cada 12 horas. Admitida no pronto-atendimento com história de dor precordial típica há 24 horas, persistente, e dispneia progressiva. Eletrocardiograma revelou inversão da onda T na parede anterior, com baixa progressão da onda R. Troponina acima de 50.000 pg/ml (valor de referência < 15,6 pg/ml). A coronariografia invasiva identificou imagens compatíveis com elevada carga trombótica em artéria descendente anterior, envolvendo o óstio do primeiro ramo diagonal, fluxo TIMI 3. Pelo fluxo distal adequado, elevada carga trombótica e mecanismo embólico provável, foi optado pela não realização da intervenção coronária percutânea. O ecocardiograma revelou fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 38%, acinesia de todos os segmentos apicais e discinesia do ápex. A prótese mecânica encontrava-se com boa mobilidade e refluxo fisiológico. O apêndice atrial estava ectasiado, com velocidade de esvaziamento diminuída e contraste espontâneo 2+/4+. Ajustada anticoagulação baseada na dosagem do fator anti-Xa para 100 mg de enoxaparina a cada 12 horas e iniciado AAS 100 mg/dia. Reinternada com 40 semanas de IG para indução de parto natural, porém submetida à cesárea por critérios obstétricos sem intercorrências.

CONCLUSÃO: As diretrizes atuais de anticoagulação em gestantes sugerem o uso de enoxaparina do diagnóstico da gravidez até a 12ª semana de gestação, e a partir da 36ª semana. Entretanto, as alterações na farmacocinética da enoxaparina durante a gestação não permitem o uso das doses fixas habitualmente utilizadas (pode haver redução do efeito anticoagulante). Esse caso ressalta a importância da dosagem do fator anti-Xa nessas pacientes.

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