Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Quando a circulação colateral coronariana vai além do anel de Vieussens

Raphaela de Oliveira Rodrigues, Michelle Gonçalves Birtche, Rafaela Rádner Reis de Oliveira, Letticya Pereira Machado, Danielle Navarro Sato, Marcos Carvalho de Paula, Edgar Rossi Depieri, Guilherme Campos Araújo, Cláudia Maria Rodrigues Alves, Pedro Ivo de Marqui Moraes
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução:No contexto de um infarto agudo do miocárdio (IAM), a circulação colateral coronariana (CCC) bem desenvolvida tem sido associada a um efeito protetor, limitando o tamanho do infarto, reduzindo a necessidade de assistência ventricular mecânica com balão intra-aórtico e mantendo uma melhor perfusão tecidual pela graduação do blush miocárdico. Relato de caso:Mulher, 68 anos, com história de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus insulinodependente, dislipidemia, obesidade grau III e IAM prévio, foi admitida com quadro de dor precordial opressiva, náusea e sudorese com 9 horas de duração. Níveis pressóricos, ausculta cardíaca e pulmonar normais. Eletrocardiograma revelou supradesnivelamento do segmento ST em parede anterior, sendo submetida à trombólise e transferência para centro de cateterismo cardíaco. Evidenciou-se oclusão proximal de artéria coronária descendente anterior (ADA) e estenose proximal de 90% da artéria coronária direita (ACD), com circulação colateral intercoronariana bem desenvolvida (classificação de Reentrop 3) através do ramo do cone da ACD, dos ramos septais e pelo ápice do ventrículo esquerdo (figura 1). Após tentativa sem sucesso de angioplastia de ADA, foi abordada a ACD com 3 stents convencionais, com sucesso. Ecocardiograma mostrou fração de ejeção de 50%, acinesia apical e hipocinesia anterior média. Durante internação, iniciado medidas para síndrome coronariana aguda e controle dos fatores de risco, recebendo alta hospitalar sem intercorrências, em acompanhamento ambulatorial regular de 6 meses assintomática. Discussão:Raymond Vieussens foi um médico anatomista francês do século XVII famoso por suas descobertas da anatomia do sistema nervoso central e cardiovascular. O epônimo “anel de Vieussens” refere-se a uma via colateral coronária que fornece fluxo entre a ADA e a ACD, por meio do ramo do cone. É visto em aproximadamente 20% dos pacientes com oclusão total da descendente anterior. O recrutamento de vasos colaterais em resposta a isquemia crônica, mediado por fatores de crescimento endoteliais, estresse de cisalhamento do fluxo sanguíneo, modulação inflamatória e arteriogênese, é uma medida adaptativa para preservação da função miocárdica. Além do anel de Vieussens, o caso se destaca pela presença de múltipla e bem desenvolvida CCC entre duas principais artérias coronarianas, fato que possibilitou uma evolução clínica favorável.

Figura 1: Cineangiocoronariografia em projeção oblíqua anterior direita mostrando extensa circulação colateral coronariana entre ACD e ADA via ramos do cone, septais e apicais.

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

20 a 22 de junho de 2019
Transamerica Expo Center | São Paulo - Brasil