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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Rotação do gerador de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis – Síndrome de Twiddler e suas variantes: relato de caso

Ivna Girard Cunha Vieira Lima, Giuliano Generoso, Roberto Kalil Filho, Augusto Scalabrini Neto, Fernando Ganem , Roberto A. Costa , Vera Maria Cury Salemi
HOSPITAL SIRIO LIBANÊS - - - BRASIL

Introdução

Muitos autores usam o termo síndrome de Twiddler e síndrome de Reel como sinônimos. Neste relato, descrevemos um caso de um paciente portador de cardiodesfibrilador implantável e ressincronizador multissítio átrio-biventricular (ABiV) com queixa de lipotímia, sendo diagnosticada síndrome de Reel.

Relato de caso

Homem, 81 anos, com histórico de miocardiopatia isquêmica foi admitido por síncope. Optado por implante de ABiV em plano submuscular para prevenção primária de morte súbita. O posicionamento dos cabos foi confirmado através da radiografia de tórax (rx) e o funcionamento do dispositivo através de eletrocardiograma (ECG). Com 8 meses após o implante ele retornou com queixa de lipotimia e sinais de congestão pulmonar. O ECG mostrava falha de captura atrioventricular do CDI-ABiV. Na ocasião negava manipulação do dispositivo. Na investigação, o rx mostrava tração de cabos do marcapasso e coil de CDI sem evidência de torção ou fratura dos eletrodos. Diante da descompensação clínica, foi optado pelo reposicionamento dos cabos, que ocorreu sem intercorrências.

Discussão

A migração de eletrodos tem recebido vários nomes devido ao mecanismo de rotação do gerador de pulso. As principais variantes, síndrome de Twiddler e de Reel, têm fisiopatologias e fatores de risco parecidos, e atualmente a forma que melhor define tais entidades é síndrome de migração de eletrodo idiopática (ILMS). Segundo Moralez et al, a síndrome de Reel se dá pelo mecanismo de catraca decorrente do movimento da costela torácica ou do braço ao nível da sutura em manga do gerador. Em geral é precoce e não leva a fratura ou enrolamento dos cabos, conforme ocorreu no relato. Os fatores de risco para a ILMS incluem: manipulação externa, bolso superdimensionado, pele redundante, idade avançada e comportamento obsessivo-compulsivo. Bayliss et al sugeriu que na Twiddler, a força é aplicada externamente ao gerador, provocando torção, rotação e retração do eletrodo. Mas na maioria dos casos descritos não há histórico de manipulação do DCEI. Logo, a fisiopatologia proposta que melhor explicaria a ILMS deste caso envolve os músculos dissecados durante sua implantação. Supõe-se que estes seriam capazes de criar energia que puxa e gira os cabos, a depender do contato do DCEI com a fibra muscular.

Conclusão

A ILMS ainda possui mecanismos fisiopatológicos desconhecidos que expliquem a etiologia da rotação do gerador. Porém, a utilização de bolsos dimensionados, implante em planos submusculares e medidas de estabilização do gerador pós-implante poderiam reduzir sua ocorrência.

 

 

 

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