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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Estratificação do risco cardiovascular em caminhoneiros na Região Sul do Brasil

Joelson dos Santos, Mariana Makuch Martins, Thais Amanda Rossa, Allexia Schmitutz, Maria Regiane Trincaus, Fernanda Marciano Consolim Colombo, Carine Teles Sangaleti
Univercidade Estadual do Centro Oeste - Guarapuava - PR - Brasil

Introdução: Estudos vêm evidenciando que os caminhoneiros acumulam muitos fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) e, acesso limitado aos serviços de saúde. Nesse estudo buscou-se caracterizar o risco cardiovascular dos caminhoneiros. Metodologia: Pela escassez de dados consolidados sobre os caminhoneiros, esse estudo teve recorte transversal e observacional, e foi realizado com 229 caminhoneiros do sexo masculino que percorriam mais de 160 Km/dia. Foram avaliados: dados sociodemográficos, o histórico familiar de DCV, o uso de medicamentos, uso de álcool, tabaco e/ou drogas estimulantes, medidas antropométricas, foi realizada coleta de sangue para avaliação do perfil lipídico, hemoglobina glicada (HG) e níveis da proteína C reativa ultrassensível. Foi avaliado o risco de síndrome da apnéia do sono (SAOS) com o questionário de Berlin, foi realizado eletrocardiograma de repouso e aferido o índice tornozelo-braço para avaliação de lesão em órgão alvo. O risco cardiovascular foi classificado segundo os itens da avaliação global da VII Diretriz de Hipertensão Arterial (2016). As associações foram estabelecidas pelo teste de Qui-quadrado e análise de regressão de Poisson. Resultados: A média de idade foi de 44,71± 10,11 anos, a mediana do tempo de profissão foi 18 anos e, 54,6% dos caminhoneiros apresentavam vínculo empregatício regular. Quanto a fatores de RCV 21% eram tabagistas, 74,7% consumiam bebida alcoólica e 10,5% faziam uso de estimulantes. 42,4%  apresentavam níveis pressóricos elevados. Apenas 15,4% apresentavam peso adequado, 58,5% apresentavam obesidade visceral. O risco aumentado para SAOS foi 49,8%. A hipertrofia ventricular esquerda foi identificada 9,6% dos casos e, 19,2% apresentaram ITB abaixo 0,9. Quanto  à classificação do RCV 10% apresentava médio risco e 20,9 % alto risco para o desenvolvimento de DCV. Houve associação entre maior RCV com tempo de profissão (p=0,016*0,0140,019), vinculo autônomo (p=0,016*0,0140,019), obesidade (p=0.026*0,0240,029), obesidade visceral (p=0,024*0,0210,026), pressão arterial elevada (p=0,000), hemoglobina glicada alterada (p=0,007*0,0060,009), níveis alterados de PCR-us (p=o,050*0,0480,054), distúrbio do sono (p=0,000). A análise multivariada demonstrou que o maior RCV estava, como esperado, diretamente associado aos maiores níveis de pressão arterial (p=0,000), ao risco de SAOS (p=0,028) e o vínculo autônomo (0,050). Conclusão: Conclui-se que os caminhoneiros se constituem em grupo que necessita de ações de saúde qualificada, com vistas à redução do RCV.

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