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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Eficácia do tratamento clínico na pericardite constritiva por tuberculose

Elayne Kelen de Oliveira, Diego Q Antoniassi, Marcelo G Lopes, José A R Gontijo, Daniel B Munhoz, Otávio R Coelho-Filho, Wilson Nadruz Júnior, Thiago Q A Costa e Silva, Andrei C Sposito
FACULDADE DE CIENCIAS MÉDICAS – UNICAMP - - SP - BRASIL

Introdução: Pericardite constritiva (PC) ocorre em 1% das pericardites virais e em até 30% nas tuberculosas, sendo esta a principal causa em países em desenvolvimento. No entanto, dois desafios norteiam a PC: determinação da etiologia e a decisão sobre o tratamento clínico ou cirúrgico. Nem sempre é possível o diagnóstico etiológico e há divergência da literatura sobre quando se ater ao tratamento clínico e quando associar à pericardiectomia.

Caso Clínico: Homem, 40 anos, com antecedente de exposição a tuberculose pulmonar (TP) no ambiente familiar, há 4 meses com dor torácica que piora ao decúbito, tosse esporádica seca, sudorese noturna e febre diária. Com um mês do início dos sintomas apresentava movimentação dissincrônica do septo, derrame pericárdico de 18 mm, sem sinais de tamponamento quando passou a fazer uso de colchicina. Evoluiu, no entanto, com dispneia progressiva, ortopneia e edema de membros inferiores. No final do quarto mês foi constatado derrame pleural à esquerda, hipofonese de bulhas, B3 e ProBNP de 581,4 pg/mL. O ecocardiograma demonstrou variação da onda E respiratória mitral de 37% e do tricúspide de 30%, derrame pericárdico de 16 mm e 5 mm de espessamento pericárdico. E em veia hepática, foi notado predominância de fluxo reverso à inspiração. Ressonância Magnética Cardíaca (RM) apresentava realce tardio e espessamento no pericárdio (8 mm). Tomografia de tórax (CT) demonstrou padrão de árvore em brotamento em ápices sugestivo de TP; micronódulos pulmonares sugestivos de silicose e espessamento do pericárdio. Investigação reumatológica sem alterações, mas progressão do PPD de 7 mm (06/07/2018) para 15 mm (31/07/2018). Ao cateterismo cardíaco observou-se curva pressórica ventricular direita em raiz quadrada. Foi tratado com esquema RIPE para tuberculose, corticoterapia e diurético e ficou assintomático após 1 mês. Após 6 meses, o ProBNP reduziu para 105,9 pg/mL, o ecocardiograma apenas com variação da onda E tricúspide inspiratória de 40%, com ausência de fluxo reverso inspiratório na veia hepática, sem derrame pericárdico, com espessamento pericárdico de porção parietal até 6 mm. Na RM não foi mais constatado derrame pericárdico e houve redução do realce tardio em pericárdio (3 mm).

Conclusão: Embora a base do tratamento da PC crônica seja pericardiectomia, casos como este com aspecto sugestivo de doença aguda (realce tardio no pericárdio aumentado, sem calcificação), apesar da importante descompensação cardíaca, o tratamento clínico mostrou-se suficiente.

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